CTI Adulto de Alta Complexidade — Hospital Di Camp, Rio de Janeiro
"Quando um paciente vê o dia nascer, o corpo lembra que está vivo."
Moema Loures — Sócia ARTO e coordenadora da pós-graduação em Arquitetura para Saúde da PUC-Rio
Implantar uma UTI de alta complexidade sem interromper a operação do hospital
O Hospital Di Camp, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, enfrentava uma demanda crítica: reduzir a necessidade de transferências de pacientes graves e garantir atendimento intensivo de alta complexidade desde a admissão, com ênfase em cardiologia. O hospital precisava de uma UTI adulta com capacidade para 24 leitos de terapia intensiva — sendo 7 de Unidade Coronariana — com previsão de expansão para 30 leitos, sem interromper o funcionamento das demais áreas durante a obra.
Mais do que resolver uma equação técnica, o desafio partia de uma premissa essencial: devolver ao paciente crítico referências básicas de tempo, ritmo e pertencimento. Em um ambiente onde tudo tende ao artificial — como vimos na pandemia da COVID-19, quando privados do exterior, instintivamente buscamos a luz — como romper com a lógica tradicional de UTIs fechadas, escuras e impessoais?
Luz natural nos leitos, estativas Dräger e climatização segmentada
A ARTO projetou a UTI do Hospital Di Camp a partir de um princípio que guia toda a sua prática: a luz natural desperta o desejo de vida. Quando a luz atravessa o leito, ela devolve orientação, ritmo e pertencimento. O paciente passa a ser reconhecido como ser humano. É também uma mensagem silenciosa: o dia nasce para você.
Três soluções técnicas distinguem este projeto e servem de referência para gestores que planejam unidades de terapia intensiva:
Iluminação natural direta nos leitos. Recurso respaldado pela literatura de design baseado em evidências como fator de redução do tempo de internação em UTI e de melhoria do ciclo circadiano de pacientes críticos, além de contribuir para o bem-estar da equipe médica e de enfermagem em turnos prolongados.
Divisórias de vidro duplo com persianas internas, fornecidas pela LZ Corp. Permitem à equipe de enfermagem manter visibilidade contínua sobre os pacientes a partir do posto central e, simultaneamente, oferecer privacidade com o ajuste da persiana — eliminando a dicotomia entre monitoramento e humanização.
Sistema de climatização segmentado, projetado para atender cada par de leitos de forma independente. Quando um equipamento necessita de manutenção, apenas dois leitos são desativados, preservando mais de 90% da capacidade operacional da unidade.
A solução adotada elimina as réguas hospitalares tradicionais posicionadas sobre a cabeça do paciente — responsáveis por grande parte do desconforto físico e sensorial, e que em muitos casos levam à necessidade de sedação por desconexões acidentais. Em seu lugar, estativas Dräger de teto liberam o campo visual do paciente e devolvem dignidade ao leito. A unidade conta com posto de enfermagem centralizado com visibilidade direta para todos os leitos, áreas assistenciais e de apoio integradas, e infraestrutura compatível com a RDC 50 da ANVISA e normas da ABNT.
"Conversamos com vários arquitetos, todos experientes na área da saúde, mas que apresentavam soluções muito padronizadas — hospitais com vidros espelhados, grandes corredores escuros. Não era isso que queríamos. Foi quando a Moema apareceu e conseguiu traduzir essa visão em ambientes mais acolhedores e humanos. Na última inspeção, a Vigilância Sanitária nos orientou a dar os parabéns à arquiteta."
Lucia Schmidt — Presidente, Hospital Di Camp
Leitos CTI com iluminação natural direta
Divisórias de vidro duplo com persianas internas — LZ Corp
Estativas Dräger — substituição das réguas tradicionais
Infraestrutura e climatização segmentada
CTI concluído — vista geral dos leitos
Posto de enfermagem e Unidade Coronariana
Uma UTI que humaniza sem comprometer a performance
Concluída em janeiro de 2026, a UTI do Hospital Di Camp já opera com 24 leitos de terapia intensiva e nasce com capacidade de expansão modular para 30 leitos — sem interromper a operação dos leitos existentes. O projeto foi concebido com previsão de crescimento desde o primeiro traço.
Ao longo do processo, a ARTO coordenou a integração de fornecedores especializados — Dräger (estativas de gases medicinais e suporte de vida), LZ Corp (divisórias de vidro duplo com persianas internas), SCA (projetos complementares) e FSS Empreendimentos (obra civil) — assegurando precisão técnica e alinhamento entre arquitetura, engenharia e operação.
O resultado é uma unidade onde inovação nasce do diálogo entre diferentes áreas — gestores, equipes assistenciais e tomadores de decisão envolvidos desde as etapas iniciais. Esse processo permite equilibrar investimento e eficiência, direcionando recursos para aquilo que realmente impacta o cuidado e resultando em ambientes que rompem com a lógica tradicional de unidades fechadas e corredores extensos.
"Uma UTI é um dos ambientes mais complexos da arquitetura para a saúde. São dezenas de sistemas funcionando simultaneamente, onde minutos importam. Nosso compromisso neste projeto foi unir rigor e afeto: rigor para garantir precisão técnica e afeto para devolver dignidade ao paciente."
Moema Loures — Sócia ARTO, idealizadora da pós-graduação em Arquitetura para Saúde da PUC-RioTem um projeto hospitalar em mente?
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